segunda-feira, 12 de março de 2012

PESQUISA E INOVAÇÃO: Lixo eletrônico vira terra-rara

Pesquisa feita no IPT abre caminho para o descarte de ímãs de computadores velhos e reaproveitamento de terras-raras, elementos químicos cujo monopólio mundial está nas mãos da China


Uma pesquisa realizada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) sobre o reprocessamento de ímãs de neodímio-ferro-boro (NdFeB) abre caminho para o descarte sustentável dos ímãs contidos nos discos rígidos de computadores fora de uso e para o desenvolvimento de tecnologias da cadeia produtiva de terras-raras

Terras-raras compõem um grupo de 17 elementos químicos - entre os quais cério, praseodímio, térbio e neodímio - com aplicações diversas, como na produção de supercondutores, catalisadores e componentes para carros híbridos


Realizada com bolsa da FAPESP durante o projeto, a pesquisa de Elio Alberto Périgo empregou uma série de ímãs sinterizados disponíveis comercialmente no mercado. 

Segundo ele, a categoria de ímãs é a mais adequada para aplicações que demandem propriedades mais restritivas, como o uso em produtos tecnológicos de alto desempenho, e de maior valor agregado em relação aos ímãs aglomerados, que combinam material particulado e resina e têm propriedades magnéticas menores. 

Périgo buscou comprovar a possibilidade de reprocessar o neodímio-ferro-boro e alcançar propriedades superiores às das ferrites, usadas atualmente para a produção dos tipos mais simples de ímãs. 

"É o material de menor custo disponível no mercado, mas suas propriedades são relativamente baixas. A aplicação ocorre quando as propriedades magnéticas não são restritivas, como pequenosmotores elétricos e alto-falantes", disse. 

Para avançar na tentativa de reciclar compostos sinterizados de NdFeB para fabricar novos ímãs e manter as características originais, o pesquisador realizou o estudo por meio do processo HDDR. A técnica combina as etapas de hidrogenação, desproporção (transformação da fase magneticamente dura em outras fases), dessorção (retirada de hidrogênio da estrutura cristalina do composto previamente hidrogenado) e recombinação (obtenção da fase magneticamente dura com tamanho de grão inferior ao inicial) em ligas à base de neodímio-ferro-boro. 

A pesquisa indicou a possibilidade do emprego do material reprocessado em aplicações nas quais é preciso elevada resistência à desmagnetização. E resultou no depósito de uma patente, tendo como titulares Périgo, o IPT, a FAPESP e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), no qual o pesquisador realizou seu doutorado, também com Bolsa da FAPESP. 

De acordo com o IPT, embora o material empregado nos ensaios fosse proveniente de ímãs comerciais, o estudo mostrou a viabilidade de extrapolar os dados obtidos para o reaproveitamento dos ímãs contidos em discos rígidos. 

Segundo Périgo, os compostos de neodímio-ferro-boro encontrados nos dois produtos têm vários pontos em comum, como não poderem ser expostos ao ar para evitar a oxidação e a perda de propriedades ou pequenas variações de composição, que implicariam poucas alterações nas condições de temperatura e pressão para o processamento. 

Para o pesquisador, o aproveitamento dos materiais magnéticos é uma alternativa para fomentar o mercado nacional de reciclagem do lixo eletrônico. Em cada disco rígido, são encontrados cerca de 30 gramas de material magnético, o que configura uma grande oportunidade para a destinação sustentável de computadores antigos. 

"Quando o consumidor troca o computador, ele descarta o equipamento porque busca uma maior capacidade de processamento, por exemplo, e não porque o ímã parou de funcionar", explicou. "O material magnético continua operante e nas mesmas condições da época em que o computador foi comprado." 

A fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho é possível somente com o emprego das terras-raras, o grupo no qual está presente o neodímio. O mercado é atualmente dominado pela China, mas as recentes reduções nas quantidades de materiais que o país pode exportar aumentaram as dúvidas pela continuidade do abastecimento e impulsionaram projetos de desenvolvimento de empreendimentos de mineração em todo o mundo, principalmente no Canadá e na Austrália. 

"Recentemente, o preço desses elementos subiu de forma abrupta, e no Brasil quem utiliza ímãs em compressores, motores e a indústria eletroeletrônica precisam importar esses materiais, já que não existem substitutos nacionais", disse Périgo.

Fonte:Agência Fapesp, Planeta Sustentável

sexta-feira, 9 de março de 2012

Prática - 03, parte 1, Observação Microscópica de Microcrustáceo: Artêmia salina

Os Alunos do ensino médio orientados pelos professores José Bezerra e Reinalda Alves, durante a prática observaram a eclosão e formação de larvas (Náuplios) de artêmia salina representante do zooplâncton. O zooplâncton assim como o fitoplâncton, constituem a base da cadeia alimentar nos mares e são importantíssimos para a manutenção dos vários níveis tróficos marinhos. 


Artemia sp
 A Artemia sp é um microcrustaceo pertencente ao filo Arthropoda. Esta espécie é extremamente volátil e adapta-se facilmente às mudanças ambientais, como variações abruptas de salinidade, de temperatura e de oxigênio dissolvido. 


A artêmia é um pequeno crustáceo marinho que mede de 8 a 10 mm de comprimento quando adulto. Sua cor pode ser vermelho claro, rosado, cinza claro, cinza escuro, variando de acordo com o meio em que vive e os alimentos que ingere. 

Artemia sp

Vive normalmente em lagoas de água salgada e, em maior número, quando as águas são de maior salinidade. Pode, no entanto, viver em águas preparadas artificialmente.

Larvas (Náuplios) de artêmia salina 
São reproduzidos com bastante facilidade e rapidez. Seus ovos, quando secos, podem ser conservados durante 10 anos, estando sempre aptos a eclodirem, desde que sejam colocados em uma água salgada.


O ciclo de vida da artêmia compreende: ovo (antes da eclosão) –náuplios (são as larvas após a eclosão) – jovem (com 06 dias de idade) – adulto (quando atinge 10 dias de idade). O tempo de vida da artêmia é de 06 a 12 meses. 


 A eclosão se realiza 24 a 48 horas após a colocação dos ovos na água, variando esse tempo de acordo com a temperatura da água que deve ser de 24 a 27ºC. Nascem, então, as pequenas larvas com 0,5 mm aproximadamente, sendo denominadas náuplius.


Sua reprodução é sexuada havendo, portanto, machos e fêmeas que se unem para a fecundação dos óvulos. 


As fêmeas apresentam ovários grandes e cheios de óvulos.
A artêmia se alimenta de plâncton, microalgas, mucilagens produzidas pelas algas, matéria orgânica entre outros compostos. 


Os indivíduos adultos (com 10 dias) têm 62,78% de proteínas e 6,5 % de gordura. O corpo de Artemia sp desde a fase de náuplio até adulto, não possui carapaça rígida de quitina, facilitando a alimentação dos peixes nas fases larvais já que o aproveitamento é total. 


Os alunos dos primeiros anos do ensino médio utilizaram os seguintes materiais e substâncias: 
Microscópio Estereoscópico
  Microscópio Óptico;


 Lâmina;
  Pipeta;
  Becker ou béquer;
  

Tubos de ensaio;
  Proveta;
  Papel toalha;


Vidro de relógio;
  Pisseta ou frasco lavador;
  Água;
  Álcool;





 




Fonte (Texto): UFRJ